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Guerreiros do Inverno

Nova Vildmark – 371 A.D

O inverno foi marcado pelo surgimento de um valoroso paladino, que retornava do Norte, sob a nevasca. Os guardas e toda a cidade ficaram surpresos com tal aparição. Afinal de contas, muitos achavam que Thorungard havia perecido, pois, ninguém jamais retornou das terras gélidas. Alguns místicos diziam que ele trazia consigo a marca dos antigos deuses.

O Alto Chanceler, Bispo de St. Cuthbert, mais conhecido como O Braço de Ferro, não gostou nada dos boatos a respeito daquele cavaleiro cujo sangue ancestral era desprezível e envolto em misticismos. E não demorou muito para que o enviasse em uma outra missão, dessa vez, na fronteira da Floresta Proibida, onde ele deveria guardar a torre fronteiriça e prestar assistência aos peregrinos. Por mais dedicação e disciplina demonstradas em suas atribuições, a honra do paladino jamais era recompensada. Para o Duque de Soissons, toda aquela gente do Norte não passava de bárbaros selvagens, cuja escrita pré-histórica é datada dos tempos da Idade da Pedra. Mas qual seria a principal motivação por trás da colonização dos bárbaros? O Império parecia desejar algo mais ou, pelo menos, era isso que seus representantes demonstravam. Curiosamente, havia ali um interesse particular acerca da Antiga Tradição, um conjunto de ritos e rituais utilizados na extinta celebração pagã.

Enquanto isso, o líder dos Raposas Cinzentas, Austin, o elfo ranger, organizava a patrulha da alvorada sob o juramento de jamais entrar em contato com outras raças. O sigilo deveria ser mantido, inclusive, nas missões de infiltração e reconhecimento, onde ele deveria se passar por humano para investigar os avanços da civilização. No entanto, o destino preparava um estranho encontro com alguém que mudaria sua vida da noite para o dia, literalmente. Alguém que o faria abandonar sua própria raça em prol de uma causa maior, um objetivo superior. Thorungard Filho de Asgard, Senhor do Norte.

Por algum motivo, os elfos patrulheiros e os soldados da fronteira lutaram entre si e, ambos, foram derrotados. Os humanos que defendiam a torre foram atacados por uma catapulta. E um dos elfos fora feito refém. Após o confronto, restaram apenas os respectivos líderes de cada raça. O paladino fez uso de táticas defensivas e utilizou o refém como escudo, mas este acabou morto por uma das flechas do Líder da Patrulha. Ao mesmo tempo que tentava organizar seus pensamentos, Austin retornava para uma posição segura onde pudesse acertar mais precisamente seu adversário. Devido a uma brecha na defesa, Thorungard foi atingido na região abaixo do ombro, um ferimento grave que o fez cair na estreita ponte sobre o rio. Sem demora, o ranger abandonou sua posição e correu na direção de seu alvo. Questionando suas ações e os motivos que o levaram ao confronto, Austin chegou a conclusão de que ambos foram induzidos a batalha.

Assim, o elfo prestou os primeiros socorros e levou o paladino para um lugar seguro, para um posto de observação élfico. Enquanto isso, tochas acesas surgiam no horizonte, eram carregadas por criaturas fortes e atarracadas, cuja ferocidade e selvageria eram desconhecidos pelo elfo, que compreendia muito bem os perigos que circundavam as redondezas da floresta. Aquele esquadrão trazia consigo uma escolta munida de duas catapultas. Austin imediatamente ligou a presença dessas criaturas com a causa do recente conflito, e deduziu mais uma vez que estava certo. Ao amanhecer do primeiro dia, os humanoides seguiram para o norte, em direção ao Deserto Gélido de Onâbar, levando com eles uma arca reforçada recoberta por terra, que parecia ter sido retirada de escavações no interior daquela torre. O que será que os humanos guardavam dentro dela? Nem mesmo o paladino sabia algo a respeito.

Com a chegada dos elfos de Gahara, o líder da Lua Nova, agraciado pela Dama de Prata, um debate teve início no alojamento da guarda élfica. Deveria Austin ser executado por quebra de sigilo seguido de homicídio culposo, após tentar solucionar o início de um conflito que ocorreu além de suas ordens? A resposta parecia definitiva através do olhar severo daquele elfo, que empunhou a cimitarra prateada folheada a ouro e seguiu em direção ao traidor. Mas, ele foi impedido pelo Escudo Polar de Thorungard, que desarmou o adversário e iniciou um discurso capaz de alterar a convicção prepotente dos elfos a seu respeito. O paladino demonstrou pela primeira vez a uma raça distinta suas origens primordiais. Sem contestar, os elfos se retiraram abdicando o direito de fazer justiça, deixando Austin sob o julgamento de Thorungard, que prometeu tratar-lhe com respeito e honra.

Após este episódio, o elfo e o paladino rumaram em direção a Nova Vildmark, seguindo o atalho proposto pelo ranger, chegaram na manhã do décimo terceiro dia de inverno. No entanto, Thorungard não reconhecia mais a identidade de seu povo, sua cultura. A cidade parecia viver o luto de um rei recluso e ausente. Muita coisa havia mudado, e o inverno estava apenas começando…

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